"A Woman is no man", por Etaf Rum
"A Woman is no man" é o primeiro romance da escritora Etaf Rum e narra, em três espaços temporais distintos, a história de três gerações de mulheres americopalestinianas: Deya, a neta, que narra no momento presente; Isra, a mãe; e Fareeda, a avó, sogra de Isra.
Trata-se de uma narrativa forte e emocionante, cujo principal objetivo é, nas palavras da própria autora, "demonstrar o trauma que se vive e que se vai perpetuando de geração em geração" na comunidade palestiniana islamita. O que mais me agrada neste livro é o facto de ter sido escrito em forma de ficção por uma autora que viveu, e vive, esta mesma realidade. É uma ficção cujas memórias autobiográficas da autora estão tão presentes quanto possível sem se tornar efetivamente numa autobiografia.
Sendo o primeiro livro de Etaf Rum, trata-se de uma narrativa muito competente e, sem dúvida, cativante. Prende o leitor à página, sempre ávido por saber o que vem a seguir. Se inicialmente me pareceu algo repetitivo, mais tarde compreendi que era esse mesmo o objetivo - demonstrar o padrão de repetição que é transmitido de geração em geração e que transforma todas as mulheres em protótipos especificados por uma cultura que as oprime e as vai limando e moldando até serem capazes de lhes retirar as ideias e objetivos próprios. Não há espaço para a mulher ter opinião, vontade individual, sonhos que contrariem todas as normas embotidas na cultura.
"Alongside this realization, an old voice that had lived in the back of her head for as long as she could remember - so long she had never before seen it for the fear that it was, only as the absolute truth - rose up inside of her. The voice cautioned her to surrender, be quite, endure. It told her that standing up for herself would only lead to disappointment when she lost the battle. That the things she wanted for herself were a fight she could never win. That is was safer to surrender and do what she was supposed to do."
Um livro que põe em perspectiva o papel do género na sociedade e nas diferentes culturas, que incita a reflexão e a empatia por estas mulheres, que nos faz valorizar o bem que temos, mas também nos consciencializa para o problema que a discriminação de género é, ainda nos dias de hoje, e em todas as culturas. "Uma mulher não é um homem"... mas não é menos do que isso. Jamais.



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